Hoje é o primeiro dia do meu diário novo! Ganhei ele ontem, e a capa é tão bonita, com flores douradas, Claire disse que vou escrever tudo o que sinto.
Hoje, ela falou que vamos viajar para Istambul! Nunca ouvi esse nome antes, mas parece mágico. Jacques comprou passagens, e Claire está arrumando minha mala com vestidos e meu ursinho de pelúcia. Estou animada, mas um pouco com medo do avião. Quero ver o mar que a Claire falou, e ela prometeu me levar para comer doces. Escrevi meu nome na primeira página, e agora vou desenhar um sol!
Hoje foi o dia mais louco da minha vida! Cheguei em Istambul com o Jacques e a Claire, e o hotel é tipo um castelo gigante com luzes brilhantes e um rio que parece mágico! Eu estava super cansada depois de tanto avião, mas o quarto que é só meu tem uma caminha macia e um monte de brinquedos que o moço do hotel deixou. Antes de dormir, comi um doce grudento que chamaram de baklava, e era tão gostoso que sujou minha mão toda!
A viagem foi longa, longa mesmo. Saí de Porto Alegre num avião barulhento que balançava, e eu desenhei aviões no meu caderno. Depois, teve um avião enorme com cheiro de pão, e eu dormi sozinha na minha poltrona enquanto o Jacques e a Claire ficavam juntos. Em Paris, estava frio e tinha umas luzes feias, mas o avião pra cá tinha um cheiro engraçado de tempero. Quando chegamos, um carro preto nos levou pro hotel, e eu corri pra pegar sorvete na rua com o sol brilhando!
A Claire ficou toda feliz quando viu uma senhora bonita que deu um guardanapo com nome pra ela, mas eu não sei quem é. Agora tô com sono, meus olhos estão pesados, e o barulho de música diferente lá fora me faz querer sonhar. Amanhã vou explorar mais, prometo escrever tudo no meu diário!
Hoje eu acordei com o sol pulando na minha cara, bem quentinho. A cortina voava e parecia que o vento queria brincar comigo. O cheiro de pão doce vinha lá da cozinha, e eu corri pra tomar café. Tinha um moço com cabelo cinza que falava engraçado — o nome dele era Julien. Ele me chamou de princesa dos olhos azuis! Eu derrubei suco na mesa sem querer, e ele só riu. Me deu um pãozinho quentinho e parecia que me conhecia de algum lugar.
Depois a gente foi pra um parque chamado Gülhane, que tem um nome que parece nome de mágica. Tinha flores vermelhas e amarelas dançando, música de tambor e passarinhos voando em círculos. O vento fazia cócegas no meu pescoço.
De repente… eu vi ele. Meu pai.
Corri e pulei no colo dele, e ele me abraçou bem forte. O cheiro dele era tipo perfume de adulto que eu gosto. Ele falou comigo em francês, igual antes, e eu entendi tudinho. A gente andou juntos entre as flores e eu contei sobre minha escola, meus amigos e aquele sonho gelado que sempre tenho às vezes, com tudo branco e silêncio. Ele ficou quieto e só olhou pro céu.
Eu perguntei quando ele ia me buscar, e ele me perguntou se eu não estva feliz no Brasil. Eu falei que sou feliz com a Claire e o Jacques, mas que às vezes sinto saudade dele. Ele sorriu e fez um carinho no meu cabelo.
Depois, ele falou com o Jacques e ficou sério. Eu não entendi nada, mas a Claire me deu sorvete de baunilha e disse que estava tudo bem. Então meu pai falou pra gente ir no palacio.
Na hora de ir embora, ele deu tchau. Eu fiquei com vontade de correr atrás dele, mas fiquei parada. Só olhei. A Claire me abraçou e falou baixinho: “Vai ficar tudo bem.”
Quando a gente foi no palacio. Vi que lá tinha quartos dourados e espadas brilhando. Eu imaginei que era a princesa do palácio. No hotel, desenhei o parque e o palácio. Fiz um coração em cima das tulipas. Hoje eu vi o dia mais bonito do mundo. E talvez amanhã tenha mais magia.
Hoje de manhã o sol entrou na sala do café como se estivesse dançando. Eu vi uma fonte no meio do pátio que parecia um espelho quebrado cheio de brilho. O restaurante era grandão, com teto azul que parecia céu pintado e luzes penduradas que pareciam gotas de ouro.
A Claire tomou chá de maçã e comeu pão com queijo. O Jacques tomou um café que tinha gosto de terra forte (eu provei e não gostei muito). Eu comi um doce chamado künefe, que derreteu na minha boca feito queijo quente com mel. Era bagunçado, mas delicioso. Claire falou que eu tenho “paladar de exploradora”, e eu fiquei imaginando um chapéu de aventura na minha cabeça.
Depois a Claire foi num lugar de adultos chamado congresso. Ela disse que ia ver um homem que fala de famílias como estrelas no céu. Eu não entendi muito bem, mas o Jacques falou que ia passar o dia comigo e que a gente ia se divertir. E foi verdade.
A gente foi ver um lugar enorme com colunas e pedras onde tinha uma fonte. Depois fomos numa mesquita gigante com um teto azul que parecia um céu cheio de estrelas suspensas. Eu tirei os sapatos, cobri os ombros com um paninho bonito e entrei devagar. O chão era frio e os sons ficavam redondos no ar. Fiquei olhando pra cima o tempo todo. Quase tropecei!
No caminho, vimos um monte de gatos. Um parecia o gato do livro da Claire, todo branco, deitado numa almofada. Eu disse pro Jacques que os gatos moram em Istambul como se fossem príncipes peludos, e ele riu.
Depois fomos num bazar com mil cores e mil cheiros. Um moço me deu um bracelete com pedrinhas azuis e falou que era pra “pequena sultana”. Eu perguntei pro Jacques o que era isso, e ele disse que era tipo princesa. Então eu falei bem alto: “Eu sou a princesa dos olhos azuis!” O moço riu e colocou a pulseira no meu braço. Me senti mágica.
A gente almoçou perto do mar. Tinha barquinhos passando, e o cheiro da comida era leve. Comi bolinhos de lentilha com molhinho de romã. Achei divertido porque parecia massinha colorida.
Depois disso, a gente entrou num barco grande. Eu subi no convés e o vento bagunçou meu cabelo como se fosse um passarinho. Gritei: “Estamos voando no mar!” E o Jacques riu. Ele ficou quietinho um tempo, só olhando pra mim. Foi bonito.
Quando a gente voltou, eu tomei banho com sabonete que cheirava limpo e escrevi um pedacinho do que vi no meu caderno de desenhos. Desenhei o barco, o bracelete e o gato branco dormindo numa almofada roxa.
À noite, a Claire voltou. Ela estava meio cansada, mas com brilho nos olhos. A gente foi jantar num restaurante com velas. Ela contou umas coisas que eu não entendi, sobre um homem que fala pouco e que faz perguntas que ninguém sabe responder. Achei isso meio engraçado.
Daí o Jacques me deu uma caixinha. Eu pensei que era um brinquedo, mas era uma coisa legal: uma maquina que tira foto! O Jacques falou que veio do meu pai. A Claire ficou emocionada. Eu fiquei também. Agora vou poder tirar foto de tudo!
Hoje a gente ficou muito tempo sentados comendo no hotel. Foi legal porque o pão estava quentinho e o suco parecia mel. Um homem chamado Halil apareceu. Ele tinha olhos que pareciam mapas, daqueles que a gente olha e já quer ir correndo atrás.
Ele falou coisas bonitas e deu um caderno com lugares pra visitar. Eu fiquei desenhando uma ponte com coração no meio. Depois, a gente andou num lugar chamado Ortaköy. Tinha uma mesquita linda e uma loja com colares que brilhavam. Eu escolhi um desenho pra fazer no caderno e pedi pra Claire tirar uma foto minha. Eu pareço uma princesa com vento.
No barco, eu abri os braços e falei pro Jacques que o vento do mar era meu amigo. Vi um peixe pulando, mas acho que só eu vi. O sol foi descendo e tudo ficou dourado.
Hoje foi o dia que o vento me contou um segredo.
Hoje fomos em lugares muito antigos. Primeiro foi numa igreja gigante chamada Santa Sofia. Ela tinha um teto que parecia o céu de vidro. Eu fiquei olhando pra cima e achei que ia cair pra dentro das nuvens. Tinha um lugar escuro com água embaixo da terra, com colunas que pareciam árvores dormindo. Era uma cisterna! Vi uma cabeça de Medusa virada de lado. Escrevi no meu caderno que ela tava de castigo.
Depois fomos no Grande Bazar. Eu fiquei com vontade de comprar tudo. Tinha braceletes, doces, coisas cheirosas, e um senhor que gritou “lindo colar pra princesa!” e eu ri. Comi um pão com queijo que parecia uma barquinha.
De tarde tomei sorvete de pistache. Fiquei com bigode verde e Claire tirou foto. Depois comi um pão de rua com carne que chamava... não lembro. Mas era bom. Escrevi no meu caderno:
“Hoje foi um dia de esconderijos e espelhos.”
Hoje a gente andou de barco de novo, mas pra ir até a Ásia! O Jacques falou que a gente mudou de continente. Eu achei isso engraçado porque não doeu nem nada. Tinha um moço vendendo balões vermelhos e eu escolhi um pra amarrar no braço. Falei que era o sinal de que eu atravessei o mundo.
Comprei uma pulseira azul de uma moça que falou “küçük melek” — o Halil disse que era “anjo pequeno”. Eu gostei. A Claire tirou uma foto minha em frente a uma parede colorida que dizia “A arte vive pra sempre”. Acho bonito isso.
Comi um prato com nome estranho, Ali Nazik. Era molinho e parecia um abraço. Disse que era comida de princesa triste. Depois, pedi o mesmo prato no jantar porque queria parecer importante.
Hoje desenhei duas torres ligadas por um fio de linha. Escrevi:
“Hoje eu fui os dois lados do mundo.”
Hoje fomos num museu com coisas bem velhas. Eu vi vasos que pareciam feitos pra suco da vovó. Tinha uma estátua que parecia Claire sentada com dois filhos. Fiquei em silêncio porque tudo lá parecia respirar muito devagar.
Depois, fomos em um palácio com uma escada que brilhava igual vidro molhado. Eu desenhei ela subindo até o céu e disse que era a escada pra visitar a Turquia dormindo.
No almoço, eu comi igual a Claire. Salada de pepino com iogurte e pãozinho quente. Jacques leu um jornal com cara séria. Falou de um problema num lugar que eu não conheço, mas não entendi direito. Ele disse que era triste porque as pessoas esquecem o que é ser humano. Eu desenhei um rei numa cama dourada com um vaso perto. Escrevi:
“Hoje eu vi o tempo dormindo dentro de um vaso.”
Depois jantamos todos igual. Foi divertido comer a mesma coisa. Pedi uma sobremesa com leite e pistache. Claire disse que eu tinha bom gosto. Fiquei feliz e com sono.
Hoje foi o último dia na cidade mágica. Eu acordei com sono, mas tomei panqueca com mel. A Claire embrulhou meus desenhos num tubo e colocou as lembranças dentro da mala.
A gente se despediu do hotel que parecia castelo. O moço da porta deu um cartão e uma foto nossa. A Claire quase chorou. O Halil levou a gente para o palácio Topkapi. Vi um anel de princesa e perguntei se era de verdade. Claire disse que sim, mas que a princesa devia ser corajosa.
No almoço, comi igual à Claire de novo. E sobremesa igual a todo mundo. Sorri quando todos disseram que estava bom. O Halil deu um cartão pra mim com uma frase linda.
Eu chorei, mas foi choro bom. De coração cheio.
Depois fomos embora. Dormi no avião e sonhei com um tapete voador que me levava até as torres de Istambul. O céu era roxo e o mar brilhava como açúcar.
Quando chegamos no aeroporto, a vovó Helena me abraçou e perguntou se eu trouxe perfume do palácio. Eu disse: “Não, vovó... mas trouxe um desenho do céu.”
Hoje o dia não brilhou igual. Jacques leu uma carta. Uma carta da tia Mei. Eu lembro dela. Ela era assim, com um sorriso grande, e me abraçava apertado.
Jacques leu a carta e a Claire ficou quietinha. Eu também fiquei quietinha. A carta falou um nome estranho, de uma escola. Jacques disse que ela vai estudar lá, e que é muito, muito longe. Muito longe mesmo. Longe do Brasil, longe da França, longe de tudo.
Ele disse que ela vai ficar lá por quatro anos. É muito tempo. É tempo demais para um abraço.
ela disse que pensa em mim. E que quer me abraçar quando essa jornada terminar. Mas quando vai terminar? Meu coração ficou meio gelado, igual quando o vento traz o frio do mar. Não é um choro bom, não.
Eu queria que ela viesse me visitar no meu tapete voador. Mas ela vai ficar lá. Estudar. Um lugar muito importante pra ela ter que ficar tanto tempo assim.
Claire me abraçou e disse que a gente vai escrever para ela. E eu posso fazer desenhos. Vou desenhar o céu pra ela.
Hoje o dia brilhou como uma estrela. A Sophie veio com a gente de São Paulo, e meu coração tá pulando igual coelho. Escrevo no meu quarto, com a luz da luminária desenhando sombras no caderno. O mar tá cantando lá fora, e a casa cheira a maresia e ao café da Claire.
No avião, eu sentei do lado da Sophie, e ela olhou meu desenho. Era ela com um vestido prateado, brilhando na passarela. Ela sorriu e disse: “C’est magnifique, Larah!” Eu ri, porque o francês dela é macio como o perfume que ela usa, aquele cheiro de flor. No aeroporto de São Paulo, quando a gente viu ela, eu fiquei tímida, mas ela se abaixou e me abraçou tão forte que o tempo parou. Como num tapete voador. Todo mundo chorou, até o Jacques, mas foi choro bom.
No almoço, comi moqueca e suco de caju, que lambuzou minha boca. A Sophie mostrou revistas com ela, tão linda, como uma princesa. Pedro perguntou se ela conhece jogadores, e ela riu: “Non, pas encore!” Jacques traduziu, e todo mundo riu junto. Eu desenhei ela de novo, com um vestido azul, e mostrei. Ela disse: “Tu seras une grande artiste!” Jacques disse que significa “você vai ser uma grande artista”. Meu coração ficou quente.
Agora ela tá aqui, dormindo no quarto de hóspedes. Quero que ela fique pra sempre, mas ela vai desfilar em outros lugares, como uma estrela que viaja no céu. Vou desenhar ela amanhã, com mais estrelas.
Hoje meu coração tá gelado, mas também quente, como quando o vento do mar encontra o sol. Escrevo no meu quarto, com o lenço da Sophie no caderno. Ele cheira a ela, a flores, e faz eu lembrar do abraço. A casa tá quieta, só o mar cantando lá fora.
Hoje de manhã, a Sophie arrumou a mala. Eu ajudei, mas baguncei as meias, e ela riu: “Larah, tu es un petit ouragan!” Jacques disse que é “pequeno furacão”. Claire fez café com pão e mamão, e o cheiro subiu pela casa. Eu dei um desenho pra Sophie, ela com um vestido azul cheio de estrelas, pra levar pra Miami. Ela disse: “Je le garderai toujours, Larah.” Jacques traduziu: “Vou guardar pra sempre.”
No aeroporto, o ar cheirava a café velho. Eu abracei a Sophie tão forte que não queria soltar. Chorei e disse: “Tu vas revenir, Sophie?” Ela se abaixou, com os olhos molhados, e disse: “Bien sûr, ma petite. Dès que je peux.” Jacques disse pra Claire que ela prometeu voltar logo. Ela me deu um lenço com o perfume dela, e disse: “Pour te souvenir de moi.” Guardei no caderno, pra não esquecer.
Agora ela tá voando pra Miami, pra desfilar na praia, como uma princesa num tapete voador. Meu coração tá gelado porque ela foi, mas quente porque ela esteve aqui. Vou desenhar ela com o mar de Miami, brilhando como açúcar.
Hoje eu acordei cedo. lembro que eu dormi abraçada com a minha tiarinha de princesa, e comi pão com geleia no café da manhã enquanto escutava o mar fazendo “shhhhh” lá fora.
Ontem foi o casamento do tio Pedro e da tia Ana. Foi o dia mais bonito do mundo! De manhã, Claire colocou meu vestido branco com faixa rosa, e fez eu girar até quase cair. Ela disse que eu parecia uma bailarina de flor. Eu fiquei rindo porque o vestido fazia *fuuushh fuuushh* quando eu andava rápido. Ana estava linda, tipo boneca de revista de noivas. Ela até chorou de verdade quando viu o espelho.
Na igreja, eu fui a daminha! Foi tipo um desfile igual o da Sophie. Eu entrei na frente com a almofadinha das alianças e fingi que era uma princesa levando os tesouros do castelo. Todo mundo olhou pra mim. Até o padre sorriu! O tio Pedro falou “Uau, Larah”, e a tia Ana me deu um abraço de apertar mesmo com o vestido gigante.
Depois teve a festa mais legal que eu já fui. Tinha luz colorida, um bolo com gosto de maracujá e uma banda barulhenta que cantava músicas engraçadas. Tinha muita comida que eu não sabia o nome, mas eu gostei do peixe com molhinho amarelo. E o suco de uva do tio Pedro era chique, vinha numa garrafa com o nome dele!
Tinha também um monte de crianças. Dançamos, pulamos e depois eu vi o Guga dançar e o prefeito da cidade tava lá, com cara de que queria dançar também. A Vera Fischer veio com um vestido que parecia feito de ouro. Ana quase caiu de costas quando viu.
Ah! Tinha uma TV ligada que mostrou que o Lula ganhou! Roberto ficou feliz e brindou. Eu não entendi tudo, só que o Brasil vai mudar. Será que vai virar desenho animado?
O tio Pedro fez outra surpresa: falou no microfone que ele e a tia Ana vão viajar pra algum lugar. Eu queria ir também.
Antes de dormir, eu olhei o céu pela janelinha do quarto e pensei: quando eu casar, quero usar um vestido de flor azul, e ter uma festa com música da Sophie e bolo com gostoso.